Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Elogio da Astrologia

Apesar de não conseguir acreditar em coisas como Deus ou imortalidade da alma e, por incrível que pareça, nem mesmo na infalibilidade papal, devo admitir, envergonhado, que acredito em horóscopo. Talvez porque o meu signo nunca disse que, se eu não jogasse naquele bicho ou naquele número da sorte, eu queimaria no fogo do inferno, mas no máximo algo como "você poderá se arrepender" ou "poderá haver complicações". Nada tão assustador... Além do mais, nada mais cético do que o astrólogo que, após agrupar uma série de frases ambíguas (com no mínimo três sentidos cada uma), acrescenta a todas o escopo "poderá talvez" e, com o texto pronto, após o ponto final, escreve: "Ou não". Aliás, na Astrologia até o ponto final tem duplo sentido, se olharmos bem.
Além disso, meu signo nunca falou muito mal de mim. Pelo contrário, disse sempre que sou inteligente, criativo, comunicativo, empreendedor, que tenho bom coração... e com uma tal entonação, com tamanha ênfase, que chego a ter pena dos outros signos, provavelmente uns idiotas miseráveis. Ao fim, posso fechar o jornal ou desligar o rádio assobiando e tomar meu café com pose de intelectual, olhando o crepúsculo pela janela com a sensibilidade que só os grandes espíritos têm. E se alguma vez meu signo falou mal de mim, posso dizer que o fez com simpatia e cumplicidade, tipo: você pode até não se dar bem no trabalho, nem no amor, espantar os amigos, ser expulso da família, mas tudo isso acontece sempre com os melhores geminianos. Quer dizer, além de cético, o horóscopo é determinista, o que é ótimo, já que a doutrina do livre-arbítrio desperta demais meu complexo de culpa.
Fico pensando no astrólogo quando se depara com a tarefa de descrever seu próprio signo. Deve escolher diligentemente as melhores qualidades, cuidando para evitar contradições como "extrovertido, reservado..." e, ao final, para dissipar qualquer suspeita, colocar: "Além de tudo, as pessoas deste signo costumam ser muito modestas". Sem falar que, ao tratar dos defeitos, a simpatia e a cumplicidade se tornariam uma complacência, uma condescendência tal, de dar inveja ao "vá em paz" de Jesus.
E o principal: mais do que cético e determinista, o horóscopo não emite juizos morais - longe de ser prescritivo como as religiões éticas, é antes descritivo como as religiões mágicas. Está mais próximo, pois, juntamente com todo esoterismo, da mitologia que da filosofia, do politeísmo que do monoteísmo, do ser que do dever ser. Consequentemente - e era aqui que eu queria chegar - está mais preocupado com esta vida do que com uma eventual além-vida. E é por essas e outras que sou chegado numa Astrologia, que "pago pau" pros caras, porque no fundo, afinal, amomuitotudoisso. Mas como diria Gilberto Gil: até que nem tanto esotérico assim... Ou não.

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Citação

Duvidar não significa descrer. Quem descrê já não duvida. Duvidar significa crer em coisas distintas e incompatíveis, ao mesmo tempo. O Ceticismo apareceu na Grécia pelo século III A. C., quando a cultura grega estava saturada de experiência criadora, possibilitando opções múltiplas e divergentes. Em essência, a disposição cética revela-se como forma refinada de tentação intelectual para gozar a simultaneidade dos opostos. Cético é quem experimenta a inefável fruição do possível, ora crendo que sim, ora crendo que não... O cético disfarça seu embaraço opcional, pela superior destreza, pela fina elegância com que se mostra capaz de seduzir ouvintes ou leitores ao sustentar os argumentos mais contraditórios sobre o mesmo assunto. (Gilberto de Mello Kujawski, Descartes existencial)

Domingo, 7 de Junho de 2009

Ao mar*

*do diário de Albert Camus, escrito em viagem de volta dos EUA:

Como é longa essa viagem de volta. Os fins de tarde sobre o mar e essa passagem do sol poente à noite são os únicos momentos em que sinto o coração um pouco descontraído. Terei sempre amado o mar. Ele terá sempre apaziguado tudo dentro de mim.
Terrível mediocridade desse meio. Até agora, não me sujeitei uma única vez à mediocridade que podia me envolver. Até agora. Mas aqui, essa intimidade vai longe demais. E em todos, ao mesmo tempo, esse algo que poderia ir adiante, se apenas...
Dois seres jovens e belos começaram um idílio neste navio, e logo uma espécie de círculo mau fechou-se à sua volta. Esses começos de amor! Eu os amo e aprovo do fundo do coração - até mesmo com uma espécie de gratidão pelos que preservam, neste convés, no meio do Atlântico reluzente de sol, a meio caminho de continentes loucos, as verdades da juventude e do amor. Mas por que não chamar pelo nome também essa inveja que sinto no coração e o desejo tumultuado que se apodera de mim no sentido de redescobrir o coração impaciente que eu tinha aos 20 anos. Mas conheço o remédio, vou olhar para o mar durante muito tempo.
Tristeza por sentir-me ainda tão vulnerável. Daqui a 25 anos, terei 57. Portanto, 25 anos para fazer a minha obra e encontrar o que procuro. Depois, a velhice e a morte. Sei qual é o mais importante para mim. E encontro, ainda, o meio de ceder às pequenas tentações, de perder tempo em conversas vãs ou passeios estéreis. Dominei duas ou três coisas em mim. Mas como estou longe dessa superioridade de que tanto necessito.
Maravilhosa noite sobre o Atlântico. Essa hora que vai do sol desaparecido à lua apenas nascente, do oeste ainda luminoso ao leste já escuro. Sim, amei muito o mar - essa imensidão calma - esses sulcos recobertos - essas estradas líquidas. Pela primeira vez, um horizonte à altura de uma respiração de homem, um espaço tão grande quanto sua audácia. Sempre estive dilacerado entre o meu apetite pelos seres, a vaidade da agitação e o desejo de me tornar igual a esses mares de esquecimento, a esses silêncios desmedidos, que são como o encantamento da morte. Tenho o gosto das vaidades do mundo, dos meus semelhantes, dos rostos, mas, fora do meu tempo, tenho uma regra própria que é o mar e tudo nesse mundo que se lhe assemelha. Ó suavidade das noites, em que todas as estradas oscilam e deslizam por cima dos mastros, e esse silêncio em mim, esse silêncio, afinal, que me liberta de tudo.

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Contra-senso

Uma das tripulantes que não chegou a embarcar no avião que caiu no oceano disse que se salvou graças à mão de Deus, o engraçado é que nessas horas ninguém se lembra que também foi a "mão de Deus" que derrubou o avião no oceano...

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Is it wicked not to care?

Domingo, 31 de Maio de 2009

A igreja dos ateus


para túllio stefano

Se Machado de Assis, há mais de um século, se permitiu criar a Igreja do Diabo, já era hora de criar uma igreja dos ateus, já que são tantos e, mais cedo ou mais tarde, vão acabar se organizando e dominando o mundo.
Bom, uma igreja não é uma igreja se não distinguir, desde já, o certo e o errado, o bem e o mal. Pois bem, o mal está no agnosticismo, que dissemina a falta de fé entre os ateus, levando-os a um quadro de niilismo profundo, chegando às vezes a evoluir para o suicídio. Assim, já que eu me auto-elegi para fundar esta igreja, tratei de escolher um representante do ateísmo no mundo animal: tenho aqui uma tartaruga, já bem velhinha, apontei pra ela e disse “tu és a pedra, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja e as portas do agnosticismo não prevalecerão contra ela”. Como ela não disse nem que sim nem que não, assim que ela morra, farei do seu casco, oco como a vida, a pedra angular de nossa igreja.
Outra lição que tiramos dos nossos colegas cristãos é a de dividir o trabalho em ministérios ou pastorais, para dar a impressão de engajamento e seriedade. Logo, em homenagem a ateus famosos, resolvi que os ministérios seriam, pra começar, três: o Ministério Dráuzio Varella, de cura e libertação; o Ministério Oscar Niemeyer, das causas sociais; e o Ministério Caetano Veloso, de louvor e adoração. Assim, com um representante de cada grande área, biológicas, exatas e humanas, demasiado humanas, será mais fácil dominar o mundo.
Os livros sagrados também podem começar com três: na base do velho testamento ficará “Assim falou Zaratustra” do profeta Friedrich Nietzsche; no novo testamento, Simone de Beauvoir emplacará com “Todos os homens são mortais”, onde explica que as mulheres, sim, é que são imortais; e o catecismo ficará por conta de Michel Onfray, com seu “Tratado de ateologia”. Nos próximos concílios, poderá ser negociada a entrada de Russel, com “No que acredito”, censurado como apócrifo devido à positividade subversiva do título. No índex entrará toda Patrística e Escolástica, além do Pe. Vieira.
Uma última coisa a ser considerada, última na ordem mas não na importância, é o dízimo que, já vou avisando, será chamado trízimo ou quadrízimo, já que a maioria dos ateus é oriunda de classes sociais mais altas (e, supostamente, mais esclarecidas). Enfim, como diria o profeta Karl Marx: ateus do mundo inteiro, uni-vos! E como diria Paulo de Toledo:

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

tem piedade, satã, desta longa miséria!

O verso acima, de Charles Baudelaire, digno dos grafites nos muros e paredões de Curitiba, serve de epígrafe ao poema Balada da Cruz Machado, de Rodrigo Madeira, também publicado sob o pseudônimo Renata Amador, na edição 15 do Escritoras Suicidas. Adaptado para o audiovisual por Terence Keller, com direito a tomada da catedral deformada através do tubo do ligeirinho, o poema virou filme, como narra Rafael Urban em sua matéria para a Folha de Londrina de 26 de junho de 2008. Quase dois anos depois de idealizado e pouco mais de um ano após as filmagens, o curta estréia nesta sexta-feira, 22 de maio, às 20 horas, na Cinemateca, não muito longe, aliás, do próprio cenário, a rua Cruz Machado, aquela que termina, ao desenlace da esquina, nos pés de uma catedral.

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

DIALÉTICA



É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste...

Vinícius de Moraes

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

A pergunta que não quer calar...

Sábado, 2 de Maio de 2009

Nazismo em Curitiba

Ao ler esta reportagem, não sem um certo susto e a boa e velha náusea, fui atrás dos referidos sites de orientação nazista, quer dizer, de "orgulho branco", que fazem apologia ao nazismo e coisas do tipo. Como, no caso, os assassinados eram nazistas, o comentário de um tal de Mr. Blonde em um destes sites diz: "Isto é um assassinio a um casal nacionalista, cujo o único 'crime' foi a sua ideologia politica...", e, não satisfeito em pôr crime entre aspas, conclui: "Que raiva...". Acontece que foi praticado, ao que tudo indica, em nome de outra ideologia política, na verdade outra corrente da mesma ideologia. As vítimas, apesar de serem nazistas, eram mais ou menos contra a violência (o que - parafraseando a reportagem - deporia contra o grupo e complicaria a aceitação do movimento pela sociedade), por isso foram exterminadas, provavelmente pelos próprios nazistas, que pra mim não passam de uma única grande corrente. Este fato parece também não ter sido observado por outro destes sites apologistas (atenção para a suástica), que se contenta em reputar o motivo como 'desconocido' e citar 'el delegado' (a notícia é brasileira, mas o blog é argentino): “Aún no sabemos si ellos fueron muertos por una persona que estaba dentro del coche con ellos o si fueron abordados en la carretera por el asesino”, além de aventar - faz tempo que estou querendo usar esta palavra - a hipótese de latrocínio. No terceiro dos 3 sites em questão, sob o lema "White Pride World Wide", não consegui achar sobre o assunto, mas como se trata de nazismo escarrado, pude achar coisas muito mais repugnantes, como esta ironia no título de um dos links: Mamãe, eu sou contra o Nazismo!!, e coisas pitorescas como a referência à afirmação de Lula de que 'brancos de olhos azuis' seriam responsáveis pela crise financeira ou algo assim: o tipo de afirmação sem pensar que joga água no moinho de oportunistas, e até uma espécie de fundamentação bíblica para a anti-miscigenação, o que não espanta nem um pouco, já que a Bíblia é cheia destes disparates e os nazistas são plenamente capazes de religiosidade, como se vê pela sua tendência ao culto de Odin, "o deus dos nórdicos", e por sua crença na vida após a morte em Valhalla, "aonde vivem os fortes". Mas isto não vem ao caso, o fanatismo político destes seres humanos (putz!) já vai muito mais longe do que este seu inocente devaneio religioso, já estou fugindo do tema, como diria o Mr. Blonde: Que raiva... Expressão que, aliás, vinda de entusiastas do crime de ódio (e sem aspas, por favor!), não poderia ser mais cínica.

Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

But no one comes in and yes, you're alone...


You don't miss me... I know!

Sábado, 18 de Abril de 2009

de Graciliano para Heloísa

Para quem ainda acredite na verdade global do mito Graciliano Ramos, a leitura das suas cartas de amor à noiva, Heloísa Medeiros, há de ser no mínimo desconcertante. O derramamento sentimental delas obedece ao pé da letra os cânones tradicionais da epistolografia do amor-paixão, a qual costuma ser tanto mais hiperbólica nos seus arroubos quanto casta nos seus propósitos confessos. (...) Embora as cartas de resposta de Heloísa nunca tenham sido publicadas, as referências que lhe faz seu apaixonado missivista dão a entender ter havido nelas uma reserva, um comedimento totalmente nos antípodas do arrebatamento dele. (...) Nisso, e em outros particulares, as missivas de Graciliano a Heloísa ilustram à maravilha alguns dos principais lugares-comuns da retórica amorosa.

José Paulo Paes

Domingo, 12 de Abril de 2009

Domingo de Páscoa...


Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Sexta-feira santa...


Deus está morto!!!

Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Camus (3)


"Noite de insônia. O dia todo, passeio uma cabeça oca e um coração vazio. O mar está mau. O céu fechado. O convés deserto. Além disso, desde Dacar não somos mais do que uns vinte passageiros. Cansado demais para descrever o mar hoje". (Albert Camus, Diário de Viagem. América do Sul, 8 de julho de 1949)

Terça-feira, 3 de Março de 2009

Mais uma de ônibus


O ligeirinho pára no tubo, entro pela porta da frente. Passo o olho pelo interior do ônibus. Um gordo em pé, mal acomodado na parte reservada a cadeiras de roda, olha para trás, como se procurasse alguém. Seu pescoço, todo torcido, não me deixa ver seu rosto, de modo que vejo apenas sua mandíbula ruminando um chiclete.
Procuro olhar a rua, molhada da chuva. À minha frente um banco vazio, nele uma pequena poça de água dança de um lado a outro, embalada pelo andar do veículo. Sem querer, minha vista encontra o gordo de novo, olhando para trás outra vez.
De repente o motorista freia, ou bate, meus pés pulam do piso. Todos gritam, fazem exclamações, uns riem. Nesta fração de segundo, olho o lugar das cadeiras de roda, desta vez o gordo não olha para trás. Do ferro em que está sentado, é lançado num salto para frente, batendo com o rosto contra o ferro de segurar-se. Após o choque, afinal consigo ver seu rosto, o olhar com alto grau de estrabismo, o que lhe dá um ar de perdido. “Então ele era vesgo”, pensei, “ou ficou agora”?

Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

O sexo dos anjos

"Ó delicados! Vós que pousais o amor sobre ternos violinos ou, grosseiros que o pousais sobre os metais! Vós outros não podeis fazer como eu, virar-vos pelo avesso e ser todo lábios" Maiakovski


Meu amor, eu te ofereço
Toda minha falta de assunto
Minha ausência de vaidade
Que nem chega a ser modéstia
Meu pé descalço
Minha cabeça raspada
Meu corpo no escuro
E te ofereço o meu silêncio
Minha boca calada
Minha respiração sincopada
Meu sopro no coração
Minha caixa torácica
E te ofereço minha solidão
Minha mão sem anéis
Meu pulso cortado
Minha fratura exposta
Minha flauta vertebrada

E não te peço nada em troca
Não te peço nada

Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

A timidez segundo Luis Fernando Veríssimo

Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório. Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico, só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença. (...) O tímido nunca tem a menor dúvida de que, quando entra numa sala, todas as atenções se voltam para ele e para sua timidez espetacular. Se cochicham, é sobre ele. Se riem, é dele. Mentalmente, o tímido nunca entra num lugar. Explode no lugar, mesmo que chegue com a maciez estudada de uma noviça. Para o tímido, não apenas todo mundo mas o próprio destino não pensa em outra coisa a não ser nele e no que pode fazer para embaraçá-lo. O tímido vive acossado pela catástrofe possível. Vai tropeçar e cair e levar junto a anfitriã. Vai ser acusado do que não fez, vai descobrir que estava com a braguilha aberta o tempo todo. E tem certeza de que cedo ou tarde vai acontecer o que o tímido mais teme, o que tira o seu sono e apavora os seus dias: alguém vai lhe passar a palavra. (...) O tímido, em suma, é uma pessoa convencida de que é o centro do Universo, e que seu vexame ainda será lembrado quando as estrelas virarem pó.

(Luis Fernando Veríssimo, "Da timidez", extraído de: Comédias da Vida Pública, L&PM, encontrado aqui, onde tem o texto completo)

Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

just like heaven


"Show me show me show me how you do that trick
The one that makes me scream" she said
"The one that makes me laugh" she said
And threw her arms around my neck
"Show me how you do it
And I promise you I promise that
I'll run away with you"
Spinning on that dizzy edge I kissed her face and kissed her head
And dreamed of all the different ways I had
To make her glow
"Why are you so far away?" she said
"Why won't you ever know that I'm in love with you
That I'm in love with you"
You
Soft and only
You
Lost and lonely
You
Strange as angels
Dancing in the deepest oceans
Twisting in the water
You're just like a dream
Daylight licked me into shape
I must have been asleep for days
And moving lips to breathe her name
I opened up my eyes
And found myself alone alone
Alone above a raging sea
That stole the only girl I loved
And drowned her deep inside of me
You
Soft and only
You
Lost and lonely
You
Just like heaven

Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

E se Deus fosse um de nós?