Feliz 2010!!!
4 horas atrás
— A minha história? — exclamei, assustado. — A minha história? Mas quem lhe disse que eu tinha uma história? Eu não tenho história... (trecho de "Noites Brancas" de Dostoievski)

Só fingem que põem
Tempo magnífico. Uma jornalista encantadora e míope. Correspondência. Almoço com os Delamain, numa espécie de buffet de estação de trem - naturalmente, a neon. Refeição. Meditações sombrias. No fim da tarde, dirijo-me a uma escola de teatro. Entrevista com professores e alunos. Jantar na casa dos Chapass, com o poeta nacional Manuel Bandera, pequeno homem extremamente fino. Depois do jantar, Kaïmi, um negro que compõe e escreve todos os sambas que o país canta, vem cantar com seu violão. São as canções mais tristes e mais comoventes. O mar e o amor, a saudade da Bahia. Pouco a pouco, todos cantam e vê-se um negro, um deputado, um professor da Faculdade e um tabelião cantarem esses sambas em coro, com uma graça muito natural. Totalmente seduzido.
Uma das tripulantes que não chegou a embarcar no avião que caiu no oceano disse que se salvou graças à mão de Deus, o engraçado é que nessas horas ninguém se lembra que também foi a "mão de Deus" que derrubou o avião no oceano...


O verso acima, de Charles Baudelaire, digno dos grafites nos muros e paredões de Curitiba, serve de epígrafe ao poema Balada da Cruz Machado, de Rodrigo Madeira, também publicado sob o pseudônimo Renata Amador, na edição 15 do Escritoras Suicidas. Adaptado para o audiovisual por Terence Keller, com direito a tomada da catedral deformada através do tubo do ligeirinho, o poema virou filme, como narra Rafael Urban em sua matéria para a Folha de Londrina de 26 de junho de 2008. Quase dois anos depois de idealizado e pouco mais de um ano após as filmagens, o curta estréia nesta sexta-feira, 22 de maio, às 20 horas, na Cinemateca, não muito longe, aliás, do próprio cenário, a rua Cruz Machado, aquela que termina, ao desenlace da esquina, nos pés de uma catedral.