sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010


Dia 24/02/2010, na Livraria do Paço da Liberdade (Pça Generoso Marques), às 19:00h acontece o lançamento de "pássaro ruim", segundo livro de Rodrigo Madeira.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Citação



Todos os dias ela ligava
pra lembrar que estava tudo acabado.
Mas sempre esquecia de dizer adeus.


RAUL POUGH
foto by ricardo pozzo

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Crepúsculo

Um amigo meu com quem estive esses tempos no Arpoador, aqui, na cidade maravilhosa, publicou esses dias um belíssimo texto em prosa, no blog pó&teias, que vale à pena ser reproduzido aqui:

Apresentei dia desses, a um camarada meu de Curitiba, algumas das famosas praias do Rio de Janeiro: Flamengo, Urca, Leblon e Arpoador, interessante, pois já me sentia pouco à vontade ou desacostumado com vários aspectos bem próprios dos litorâneos, ainda mais dos cariocas e fluminenses, meus conterrâneos, às vezes citadinos tão soberbos de seu litoral, cuja fama e beleza é proporcional à desfiguração da cidade, mascarada para o mundo de Globo e Olimpíadas. Contudo, aqui existem pedras e existem orlas, praias onde não fiz castelos de areia, mas caminhei sobre os avatares do horizonte; há mais de seis anos não subo os mirantes que dão ornamento às encostas e quebra-mares, que, para mim, sempre foram a parte mais fascinante de um litoral, assim como a maresia da noite; ironicamente nem mesmo os meus pés se equilibram naquelas pedras com a mesma flexibilidade de antes, me esqueci até o simples hábito de lavar o chinelo no mar e tirar a areia enquanto se anda descalço no calçadão, ex-carioca mesmo; revisitar um lugar, parece uma nova permissão, a distância nos veta a presença física, regressos, somos licenciados da distância, no entanto agora, apesar da licença, sinto-me embargado no estranho deslocamento da memória. Por fim, tivemos o brinde amargo do calor e o crepúsculo de um sol anátema; dizem os meteorologistas que estamos sob um pico extraordinário de calor, provavelmente dirão o mesmo ano que vem. Ah o sol, causticamente desolador, implacável tal qual o amanhecer que te chama para o cotidiano e não para o mar, esse mesmo sol gerador do calor que de tão quente morrerá como o escorpião suicida quando cercado pelo fogo; sossegados, isso é para daqui a dez bilhões de anos, ele se transformará em carbono e tudo será uma senescente estrela anã branca.

Tullio Stefano

domingo, 27 de setembro de 2009

Conversa de botequim

Nada como chegar em seu quarto num domingo à noite e, antes de fechar a janela, ouvir uma música ao vivo bem distante, algo como amor com jeito de virada... depois ligar a tv meio chuviscada e afastar os chinelos ainda sujos de areia pra deitar na cama. Faz umas duas semanas que vim pro Rio pra estudar e só hoje conheci Copacabana, com direito à estátua de Dorival Caymmi no fim do calçadão da avenida Atlântica. Antes disso, porém, explorei bastante o centro à procura de supermercados, restaurantes e lavanderias, além do próprio quarto onde estou, depois de ficar nums hotéis na Lapa e correr Botafogo e Laranjeiras atrás de albergs e pensões: não adianta, fiquei no centro mesmo, que pelo menos é um local bem estratégico. É verdade que esses dias fui perseguido três quadras por um engraxate na avenida Rio Branco e que também já fui assaltado, mas a culpa foi minha que fui andar pelas ruas do centro no fim de semana, quando a cidade está tão deserta que parece ter sido devastada por um furacão. Além disso, mea culpa também por afetar qualquer coisa de turista, deve haver uma luzinha que se acende em minha testa e me denuncia como estrangeiro. Por sorte eu não falo muito, a não ser de vez em quando pra pedir um prato feito ou um assaí, nunca tinha comido assaí do jeito que servem aqui, aprendi também a não pedir café com leite, ainda mais leite quente, sendo preferível pedir um pingado ou uma boa média que não seja requentada. Mesmo assim, de uma forma ou de outra meu sotaque sulista acaba vindo à tona, mas como diria um camarada meu: o que importa é a sintaxe e a conjugação. Em linhas gerais, tenho sempre a impressão de que, apesar de estar meio deslumbrado, nada no Rio me parece novo, tudo passa a sensação de que já conheço de algum lugar, seja de um conto de Machado de Assis, que nunca saiu do Rio, seja de um samba de Cartola, que até hoje é superpopular na Lapa, ou seja mesmo de uma novela de Manoel Carlos. Enfim, não sou lá um grande explorador de novos lugares e nem sei se vou conhecer metade dos assim chamados pontos turísticos durante o tempo que estiver aqui, como o Redentor, que Camus chamou de algo como "um lamentável Cristo" ao avistar do navio ou avião quando chegava ao Brasil, ou tantos outros que estamos cansados de ouvir falar, nem que seja das canções da bossa nova. A propósito, outra figura já mais ou menos mítica na cidade é o profeta gentileza, uma espécie de inri cristo melhorado, famoso por seu jargão "gentileza gera gentileza" e por seus escritos nos muros com mensagens de gentileza que, segundo reza a lenda, foram todas pintadas de cinza, daí aquela música da Marisa Monte que conta justamente essa história: apagaram tudo, pintaram tudo de cinza...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

AOS ÓCULOS

Só fingem que põem
o mundo ao alcance
dos meus olhos míopes.

Na verdade me exilam
dele com filtrar-lhe
a menor imagem.

José Paulo Paes