
domingo, 12 de abril de 2009
sexta-feira, 10 de abril de 2009
segunda-feira, 9 de março de 2009
Camus (3)

"Noite de insônia. O dia todo, passeio uma cabeça oca e um coração vazio. O mar está mau. O céu fechado. O convés deserto. Além disso, desde Dacar não somos mais do que uns vinte passageiros. Cansado demais para descrever o mar hoje". (Albert Camus, Diário de Viagem. América do Sul, 8 de julho de 1949)
terça-feira, 3 de março de 2009
Mais uma de ônibus

O ligeirinho pára no tubo, entro pela porta da frente. Passo o olho pelo interior do ônibus. Um gordo em pé, mal acomodado na parte reservada a cadeiras de roda, olha para trás, como se procurasse alguém. Seu pescoço, todo torcido, não me deixa ver seu rosto, de modo que vejo apenas sua mandíbula ruminando um chiclete.
Procuro olhar a rua, molhada da chuva. À minha frente um banco vazio, nele uma pequena poça de água dança de um lado a outro, embalada pelo andar do veículo. Sem querer, minha vista encontra o gordo de novo, olhando para trás outra vez.
De repente o motorista freia, ou bate, meus pés pulam do piso. Todos gritam, fazem exclamações, uns riem. Nesta fração de segundo, olho o lugar das cadeiras de roda, desta vez o gordo não olha para trás. Do ferro em que está sentado, é lançado num salto para frente, batendo com o rosto contra o ferro de segurar-se. Após o choque, afinal consigo ver seu rosto, o olhar com alto grau de estrabismo, o que lhe dá um ar de perdido. “Então ele era vesgo”, pensei, “ou ficou agora”?
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
O sexo dos anjos
Meu amor, eu te ofereço
Toda minha falta de assunto
Minha ausência de vaidade
Que nem chega a ser modéstia
Meu pé descalço
Minha cabeça raspada
Meu corpo no escuro
E te ofereço o meu silêncio
Minha boca calada
Minha respiração sincopada
Meu sopro no coração
Minha caixa torácica
E te ofereço minha solidão
Minha mão sem anéis
Meu pulso cortado
Minha fratura exposta
Minha flauta vertebrada
E não te peço nada em troca
Não te peço nada
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
A timidez segundo Luis Fernando Veríssimo
(Luis Fernando Veríssimo, "Da timidez", extraído de: Comédias da Vida Pública, L&PM, encontrado aqui, onde tem o texto completo)
domingo, 15 de fevereiro de 2009
just like heaven

"Show me show me show me how you do that trick
The one that makes me scream" she said
"The one that makes me laugh" she said
And threw her arms around my neck
"Show me how you do it
And I promise you I promise that
I'll run away with you"
Spinning on that dizzy edge I kissed her face and kissed her head
And dreamed of all the different ways I had
To make her glow
"Why are you so far away?" she said
"Why won't you ever know that I'm in love with you
That I'm in love with you"
You
Soft and only
You
Lost and lonely
You
Strange as angels
Dancing in the deepest oceans
Twisting in the water
You're just like a dream
Daylight licked me into shape
I must have been asleep for days
And moving lips to breathe her name
I opened up my eyes
And found myself alone alone
Alone above a raging sea
That stole the only girl I loved
And drowned her deep inside of me
You
Soft and only
You
Lost and lonely
You
Just like heaven
domingo, 8 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Mais uma noite sem sono
Ler um texto é sempre muito solitário, sobretudo quando se vê, pelo reflexo da janela no seu monitor, que constroem muros do outro lado da rua. Mas, cá entre nós, que sabem eles das estrelas? É uma questão de lembrar que uma estrela existe, mesmo que esteja bem longe, e que ela pode brilhar, mesmo que não exista. Sim, porque as estrelas têm o humor que só os suicidas sabem ter, os suicidas que deixam sobre a mesa apenas um bilhete engordurado dizendo "fui", talvez "adeus" e quem sabe até "I love you, I love you, I love you".
E o leitor que não ria: sofresse da insônia que eu sofro, também transformaria seu quarto num planetário, onde há apenas a lua e uma estrela, que não existe. Mesmo que descobrisse depois, num artigo de Astronomia, que era tudo mentira. Afinal, que sabem os astrônomos das estrelas? Talvez eu ainda possa contar esta história num desses muitos momentos da vida em que nos falta assunto. Quero dizer, não quando se está conversando e a conversa esfria, digo quando nos falta assunto a nós mesmos, quando se está sozinho no escuro, às três da manhã, e não há mais nada pra pensar.
O telefone está cortado, ninguém irá ligar e dizer: "eu sabia que você estava acordado, eu também estava..." Não, o telefone já não pode inspirar mais esperança que uma lâmpada fluorescente. Logo mais, às quatro horas, o jornaleiro virá de moto e eu ouvirei o som do jornal caindo no chão, e o barulho da moto irá diminuindo, diminuindo, até sumir. E eu finalmente fecharei os olhos, devagar, e pegarei carona com o jornaleiro. E iremos, então, até o infinito.
sábado, 31 de janeiro de 2009
Para Chico Buarque
Tentei chegar do nada
Também nada perguntar
Mas eu só tinha essa aguardente
Tão amarga de tragar
