sábado, 22 de setembro de 2007

sobre isso aqui do lado e a cidade em volta

vi os marcadores no blog do antonio cicero e fiquei com inveja, e daí?
Bem que essa poderia ser uma comunidade no orkut.
Mas, mudando de antonio cicero para Cristóvão Tezza, aqui vai um "você sabia que"
Segundo minha irmã, Curitiba é uma das cidades com maiores estatísticas de depressão entre os jovens, e diz-que isso tem a ver com o temperamento do curitibano, o mesmo daquelas piadas tipo: O que o curitibano faz quando pega a mulher com outro? Nada, porque ele não fala com estranhos. E onde que o Tezza entra nisso tudo? Há uma crônica dele que questiona: "Quem é esse que sem mais nem menos lhe pede informação na rua? Não é daqui, senão ia sozinho." Vale ler lá, fala do dalton, dos invasores catarinas e nordestinos e sobretudo da nossa ARROGÂNCIA, camaradas.

domingo, 16 de setembro de 2007

A importância de sermos Dorian Gray

"Não gosto tanto de mim a ponto de gostar das coisas que gosto"
(Clarice)
Tenho algo a dizer, se não estiver com pressa: o orkut é um site de relacionamento, não é? De relacionamento consigo mesmo. Abrimos para ver a NOSSA foto ali do lado, para atualizar o NOSSO perfil, etc., como diria o Chico, "uma penca de documentos pra finalmente eu me identificar". Se der tempo, a gente responde um recadinho ali, escreve outro acolá, parabeniza os aniversariantes, e depois voltamos a ver a NOSSA cara estampada no perfil. Fotos cheias de sorrisos, denunciando a mais pura e verdadeira felicidade dessas doces criaturas virtuais, que falam num tatibitate próprio e que têm personalidade, basta olhar as suas comunidades, incisivas e categóricas, e daí? Vai encarar? Pega eu, maluco. Você não tem orkut, não tem alma. Minha alma é azulzinha (salve, Djavan), e se divide em gostos musicais, livros lidos, filmes etc. Religião: INTERNAUTA. Sim, parabéns para nós, nós temos alma, nós somos felizes de verdade, mesmo quando confessamos nossa tristeza. Mesmo que sejamos sozinhos. Orkut, orkut meu, existe alguém com o perfil mais bonitinho do que o meu? Nós somos uns FOFOS. Somos enfim imortais. Por mais que o corpo padeça e que um dia morramos, permaneceremos pelos séculos amém, enquanto houver world wide web. Expressamos toda nossa liberdade de comunicação, toda nossa democracia, nossa virilidade, nossa popularidade, nossa intelectualidade e, o que é melhor, falamos em inglês, vai um scrap de queijo aí?

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

domingo, 2 de setembro de 2007

Deus-lobo é encontrado vivo

"Nunca diga: isto é natural" - Bertold Brecht


O ateísmo não só é algo natural, em minha opinião, como talvez uma das coisas mais naturais do ser-humano, ao contrário do que reza a tradição que, como Montaigne e Pascal, afirma: ateísmo é uma concepção monstruosa e anti-natural. Monstruosa pode até ser, pois lança o mundo ao seu relativismo intrínseco, ao seu pode-tudo. Por isso Voltaire afirma (no dicionário filosófico) que, do ponto de vista político, o ateísmo é inviável. E Dürkheim (segundo Rubem Alves em "O que é religião") que a religião é a base da sociedade. Como se o ateu fosse necessariamente mau, como se a idéia de bem só existisse na idéia de Deus.
Monstruoso ou não, não vem ao caso agora, mas anti-natural!? O que leva um homem a crer em Deus senão o fato de seus pais o crerem? Nada mais artificial do que Deus. Se tivéssemos que descobrir Deus por nós mesmos, será que seria assim tão fácil, tão natural? OK. Tomemos o racional do homem como o natural. Se alguém, que não tenha pais crentes, recebe a versão do Gênesis e a versão de Darwin. Qual convence mais? A Bíblia trata de Deus como se Ele já existisse. Ora, Cervantes também trata de Dom Quixote como se este existisse. O que a Bíblia faz é dizer QUEM ou O QUE é Deus (bom, sábio etc.) e não QUE ele é, isto é, que Ele existe. Disso se ocuparam Santo Anselmo e Descartes, entre outros. A própria palavra Javé (aquele que é) é uma petição de princípio.
Os ateus, por sua vez, também caem na aporia de partir do pressuposto de que Deus não existe, como Marx e Nietzsche fizeram. Portanto a filosofia não é menos artificial que a religião. Cabe, então, deixar o artificial de lado e debruçar-se sobre a mãe natureza.
Não podemos dizer que o homem, ao contrário dos animais, é NATURALMENTE levado a ter religião. Mas sim que o homem NATURALMENTE prevê, ao contrário dos animais, a sua morte. o animal não sabe que vai morrer, o homem sabe. Esta é a diferença. A partir desta diferença é que o homem crê ou não crê em vida após a morte. Logo, também se poderia dizer que o homem é NATURALMENTE ateu. Ao nascer numa sociedade em que todos acreditam em Deus, um homem é levado (não naturalmente) a também acreditar. Porém num mundo civilizado só é possível pensar o homem natural retrospectivamente, a partir de uma linha histórica, em que essa natureza é moldada. Numa sociedade primitiva, a falta de explicações gerou mitos (genêsis). Com o tempo, a ciência (Darwin) tomou o lugar do mito. Numa visão positivista, então, o homem seria "naturalmente" LEVADO ao ateísmo. Mas, afinal, o que se entende por "natural"? Um homem que nasce fora da civilização, criado por animais e, sem deixar descendentes, morre sem se civilizar? Ou a espécie que, a partir de um macho e uma fêmea primitivos iria gradativamente se civilizando? Tarzan ou Lagoa Azul? Tal pergunta significa: a História está contida na natureza do homem ou é algo que aconteceu por acaso? Em outras palavras: se o homem fosse extinto da Terra e nascesse outra vez (do macaco ou de Deus, não importa), a História seria a mesma? Tudo indica que não, pois o homem é livre. Porém esta liberdade mesma não o levaria, de um modo ou de outro, para o mesmo fim? O Nazismo é necessário à História? A luz elétrica e o carro poderiam NUNCA ser inventados nesta outra civilização? Talvez levassem mais tempo, ou menos, para ser inventados, se é que seriam.
Voltando para a única civilização que se conhece, um homem qualquer, que tenha morrido em 1315, está ainda no céu, numa história paralela? O que ele faz lá? Como fazer planos na eternidade, tipo: daqui 20 anos eu caso, dali 20 me aposento e dali mais 20 morro? Como seria fazer planos para sempre, não acabariam? Como viver, sem planos, uma felicidade que não é mais preciso buscar? A imortalidade da alma é análoga à imortalidade da matéria, na qual nada se perde, tudo se transforma. Não são eternas as menores partículas de que o corpo do homem é feito? Eternas porém brutas. Uma alma que vivesse para sempre não se embruteceria? Sua vida não perderia o sentido diante da eternidade que o condena a existir para sempre? Que tipo de felicidade é esta, estática e conformada? Estar vivo não é precisamente saber da morte futura? Ignorá-lo é NÃO o saber, como os animais. Se a morte é uma pergunta e a religião uma resposta, o que nos torna homens: o fato de criarmos uma resposta ou o fato de trazermos uma pergunta na alma?
Otávio

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

citação

o soneto é uma forma clássica que, apesar de eu não - conseguir - escrever (por incapacidade poética), gosto. Aliás, para mim, seria profano me utilizar de qualquer métrica, quando há pessoas que o fazem melhor que a gente, deve-se reconhecer (ainda que de maneira cínica). Não obstante, soneto é música, coisa de compositor, formato que admiro, sobretudo por sua pureza:

Ó formosura!

Piolhos cria o cabelo mais dourado;
Branca remela o olho mais vistoso;
Pelo nariz do rosto mais formoso
O monco se divisa pendurado:

Pela boca do rosto mais corado
Hálito sai, às vezes bem ascoroso;
A mais nevada mão sempre é forçoso
Que de sua dona o cu tenha tocado:

Ao pé dele a melhor natura mora,
Que deitando no mês pode gordura,
Fétido mijo lança a qualquer hora:

Caga o cu mais alvo merda pura;
Pois se é isto o que tanto se namora,
Em ti mijo, em ti cago, ó formosura!

Bocage

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Entrevista com o Vampiro II - o (eterno) retorno

A resposta à pergunta "como você escreve" foi extraída de uma excepcional entrevista que o jornalista Nelson de Oliveira obteve numa aposta de jogo de xadrez. A aposta era: se o jornalista vencesse, ele teria a entrevista; se perdesse, pararia de assediá-lo.

"Hoje escrevo quando dá vontade, com ternura, às vezes fico semanas sem pegar na caneta. É claro que com o passar do tempo vou ficando angustiado. Preocupado. Será que morri? Eu me apalpo, me cheiro. Não, ainda estou vivo. Ponho a cara pra fora da janela, escuto a cidade, berro: 'Estou pronto! Mova-se mundo'. Fico atento à gentinha no ponto de ônibus, no bar da esquina. Aí as idéias vêm aos montes. Até me assusto. Fico com os pêlos do braço arrepiados."

Fonte: OLIVEIRA, Nelson de. Entrevista com o vampiro - Dalton Trevisan.

Minha fonte: BRITO, José Domingos de (organizador). por que escrevo?

Cheque Mate!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 19 de agosto de 2007

Entretempo

Meus caros senhores
E senhoras do mundo
Entender-me pudessem!
Não creio em Deus
Porque me diz respeito não crer
Não deixo de pensar em Deus por Ele
Mas por mim
Se o problema fosse Deus
Beijava-lhe os pés
Se o Diabo, neste cuspia
Mas vejam que cena!
Que estupidez existir!
Pergunto: para que fui criado?
E me respondem: para duas coisas.
Adorar Deus e renegar o Diabo.
Repito: que estupidez existir.

Agora precisam de mim
Para escolher entre os dois!
Nunca precisaram de mim
Nem Deus nem o mundo
E de repente me dão
O voto de minerva?
Que culpa eu tenho
Se Um não gosta do Outro?
Eles que são eternos que se entendam.

Antes, entender-me pudessem!
Se o problema fosse Deus
Eu cederia: Ele existe
Ele sim, que é Deus, não eu.
Eu não sou Deus: eu vou morrer
E antes disso eu nasci
Percebem agora o tempo que tenho?
Para quem tem a eternidade
Faz sentido perder tempo
A beijar um, cuspir noutro
Eu não tenho a eternidade.
Aí vem um 'ele' e diz que eu tenho.
Não tenho. E entendo de mim mais que um 'ele'.
E por não ter a eternidade
Quero o direito ao que realmente tenho.
Tenho o direito ao tempo entre
Meu nascimento e minha morte
Entretempo este que subestimam
Diante do que chamam eterno.

Querem viver para sempre?
Têm todo o direito!
E todo o tempo têm também
Para achar um sentido
Caso um dia percebam
A estupidez de existir
A beijar um e cuspir noutro.
Mas se nunca atinarem com isto
Que se deliciem com o eterno
Que façam festa com seus Céus e Infernos
Mas que não seja em detrimento
Do meu único entretempo
A que chamo vida, inteira.
E a que chamam pedaço
Duma coisa maior.
Eu que, talvez sério demais,
Chamo a vida de vida
E não pedaço da mesma.

Mas talvez não me entendam
Porque, apesar de eternos, não têm tempo.
Ou não querem.
Porém se trata aqui de mim
Não da existência de Deus, que desconheço.
Até porque, como disse, não me diz respeito crer nele.
Ao contrário de Deus, tenho princípio e fim.
Quem quiser viver para sempre, viva.
Eu quero nascer e morrer, nada mais.
Por favor não me botem a alma empalhada!
(Otávio)